conversas na paragem VI

Num dos chuvosos e escuros fins de tarde da semana passada, na paragem cheia de gente do Cais do Sodré, pára o eléctrico 15 e uma senhora na rua pede para falar com o condutor. Queria pedir-lhe autorização para percorrer o interior do eléctrico sem bilhete, e que ele esperasse que ela saísse antes de arrancar. O marido, com Alzheimer, tinha entrado na Praça da Figueira e nunca mais tinha dado notícias.

Passada revista ao eléctrico, a senhora sai para a noite gélida, sozinha no meio de tanta gente, agarrada ao telemóvel e com um ar desesperado.

Fiquei a fazer figas para que tudo lhe corresse bem.

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