os dias

rabbit

 

Segunda, Terça, Quarta Quinta… O quê, já é Sexta? E o fim-de-semana corre, ou escorre por ali abaixo, numa pressa injustificada para os dias livres que deviam dar para fazer muito mais coisas do que realmente dão…

Acordamos, vestimos, saímos de casa sem tomar o pequeno-almoço, os quartos ficam todos desarrumados, as camas por fazer, as tarefas domésticas pendentes. Os transportes públicos sucedem-se, caras, gente, a chuva miudinha, um lugar sentado oferecido a uma senhora idosa, algumas páginas adiantadas sobre o assunto que se anda a estudar, e sem se saber como passa-se da cama para a cadeira, em frente a um computador, numa mesa branca, como as paredes que nos rodeiam, num mundo branco e agressivo para os nossos olhos ensonados.

Um dia e depois outro, seguindo um compasso rápido e repetido, mas o trabalho varia; ora mais desafiante, ora mais aborrecido, problemas bicudos para resolver que, juntamente com um café quente, na copa onde as paredes em vez de brancas são verdes, ajudam a acordar. Chega o almoço e com ele a moleza de novo, de novo curada com café e conversas intermináveis que não fazem apetecer voltar ao branco lugar ao pé da janela. A vista da janela é também verde, como as paredes da copa.

Ao sairmos é já noite cerrada, e de novo se sucedem os transportes, as caras – agora mais carregadas de cansaço –, os passos menos apressado mas ansiosos por regressar a casa. Se der, ainda se encaixa uma corridinha antes do jantar, ou fica-se simplesmente a tentar compor o quadro que é o quarto que foi abandonado à pressa de manhãzinha. O jantar, a mesa, a cozinha, e corre o tempo, e “hoje quero ir dormir cedo!”, mas há sempre mais alguma coisa para fazer, ou muitas coisas, que podem finalmente ser feitas neste bocadinho antes de ir dormir. Mas o bocadinho estica enquanto as horas de sono encolhem, e na manhã seguinte é que vão ser elas!

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4 thoughts on “os dias

  1. Por um bocadinho, perdi-me pelo meio do teu post. Também estou rodeado de paredes brancas e quando olho pela janela vejo tudo verde. Mas é o verde da serra. Hoje estou protegido dessa correria,fiquei pela terrinha e se não fosse o mau tempo tinhas esquecido isso tudo num instante.
    Está muito bem escrito, dá para sentir a tua rotina com este post :P
    Boas fugidas da rotina :)

  2. Tão bom, fugir para a serra ou, no meu caso, para o vale ! :) mas verdade seja dita, não consigo estar muito tempo longe das correrias da cidade, esta rotina faz-me falta e o ritmo já faz parte de mim. ;)

  3. Acho que nunca me vou habituar totalmente à vida citadina… às vezes ando aí de fato em entrevistas e riu-me de mim mesmo… imagino como seria cómico subir uma árvore ou andar de bicicleta pela serra assim vestido… com fato sou um aldeão disfarçado de business man :P

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